<font color=0093DD>Almada real e imaginada</font>
«Almada Imaginada» é o título da exposição de fotografia de Júlio Dinis que está patente no Museu da Cidade. A mostra acompanha Almada desde a década de 40 até ao período pós-25 de Abril. O autor – fotógrafo de diversos jornais, entre os quais A Bola, O Século, Diário de Lisboa, Diário Popular, O Diário e Avante! – explica a forte ligação à cidade onde nasceu.
Mal se entra na exposição «Almada Imaginada», da autoria de Júlio Dinis, nota-se uma certa cumplicidade nas fotografias. Aqueles homens e mulheres, os seus sorrisos, as suas posições, os seus afazeres são compreendidos pela câmara, pelo fotógrafo. O artista toma uma posição, não é isento, sente e reage, como se se fotografasse a si mesmo. É ele que está do outro lado, que estende a roupa, que dança num baile da Incrível Almadense com confetis na cabeça, que prepara as redes de pesca sentado no areal da Costa de Caparica enquanto olha o mar.
É o quotidiano, exemplificado por rostos anónimos nos seus afazeres profissionais e de lazer. São os rapazes – hoje já homens – que participam na tradicional Queima do Judas; são os elementos da banda jazz da União Pragalense «Os Estrela Douro»; é o vendedor de moinhos que, ao passar, desperta desejos e sonhos em muitas crianças; é o padeiro da Cooperativa Almadense, quase invisível, de tão debruçado nos cestos, rodeado pelos clientes; são as mulheres da Quinta da Alegria esperando vez para encher bilhas e baldes no chafariz; são as alunas da aula de costura da PFAFF a mostrar o que aprenderam, tentando concentrar-se no trabalho e esconder o riso.
Para Júlio Dinis, fotografar o povo é uma opção de classe. «Sempre fiz essa opção. Eu sempre liguei o mundo do trabalho às pessoas. Era por isso que fotografava oficinas e fábricas. Essas figuras são o rosto do trabalho», explica.
«Eu conheci este concelho quando parecia uma quinta. A cidade era muito diferente», recorda. Natural de Almada, tal como os pais e os avós, o fotógrafo foi descarregador de cortiça, estivador e serralheiro, antes de se tornar um profissional da imagem.
«Ia ganhando uns tostões para ajudar em casa. Éramos uns poucos de irmãos e a minha mãe ganhava pouco», lembra. Essas experiências tiveram muita influência no seu trabalho como fotógrafo, virando a sua atenção para o povo, para as suas vivências e dificuldades. «Já em casa havia essa atenção. O meu pai era um homem político. A minha mãe recebia a quotização do Partido.»
A cidade
É Almada que é retratada na exposição, a cidade de ontem que é também de hoje. Prova disso são os visitantes que se descobrem nas fotografias, a si, aos pais e às mães, aos vizinhos e aos companheiros de escola, aos locais de trabalho, de brincadeira ou simplesmente de passagem. A reacção é sempre emotiva e muitos são os que deixam escapar as lágrimas. Reconhecem a sua vida e a sua cidade, a evolução que sofreu, desde o tempo em que os temporais destruíam as casas dos pescadores da Costa de Caparica – frágeis, pobres, mas o lar daquelas famílias – até à cidade moderna em vésperas da concretização do metro de superfície, desde a Almada rural de terras férteis à actual Almada com quase meio milhão de habitantes.
É também a cidade política, representada nas manifestações populares de apoio à Revolução dos Cravos, nas primeiras eleições livres, numa concentração em frente à Lisnave em 1978 ou num outro protesto no Largo Luís de Camões. Num mar de chapéus-de-chuva abertos, vê-se o rosto de uma mulher de meia idade, chapéu de palha na cabeça e um cartaz na mão: «Queremos trabalho, desemprego não.»
«Com o 25 de Abril, ganhei ainda mais amizade a Almada», refere Júlio Dinis. Depois da revolução, começou a fotografar grandes multidões. São famosas as suas panorâmicas de concentrações de massas. No entanto, o que mais gosta de fotografar são rostos.
Reformado, Júlio Dinis continua a fotografar. «Volta não volta, quando está bom tempo, agarro na máquina e vou fazer umas coisas. Quando saio de casa penso: “Tenho de ir fazer isto.”.» Actualmente está a fazer um trabalho sobre figuras do concelho, o seu concelho, a sua casa.
A Festa do Avante! conta com a colaboração e o trabalho de Júlio Dinis desde a primeira edição. O mesmo aconteceu com outras iniciativas do Partido, realizadas um pouco por todo o País desde o 25 de Abril. A semana passada, o fotógrafo entregou parte do seu espólio ao PCP, aumentando assim o arquivo histórico do DEP, que, em grande parte, havia sido por ele construído.
É o quotidiano, exemplificado por rostos anónimos nos seus afazeres profissionais e de lazer. São os rapazes – hoje já homens – que participam na tradicional Queima do Judas; são os elementos da banda jazz da União Pragalense «Os Estrela Douro»; é o vendedor de moinhos que, ao passar, desperta desejos e sonhos em muitas crianças; é o padeiro da Cooperativa Almadense, quase invisível, de tão debruçado nos cestos, rodeado pelos clientes; são as mulheres da Quinta da Alegria esperando vez para encher bilhas e baldes no chafariz; são as alunas da aula de costura da PFAFF a mostrar o que aprenderam, tentando concentrar-se no trabalho e esconder o riso.
Para Júlio Dinis, fotografar o povo é uma opção de classe. «Sempre fiz essa opção. Eu sempre liguei o mundo do trabalho às pessoas. Era por isso que fotografava oficinas e fábricas. Essas figuras são o rosto do trabalho», explica.
«Eu conheci este concelho quando parecia uma quinta. A cidade era muito diferente», recorda. Natural de Almada, tal como os pais e os avós, o fotógrafo foi descarregador de cortiça, estivador e serralheiro, antes de se tornar um profissional da imagem.
«Ia ganhando uns tostões para ajudar em casa. Éramos uns poucos de irmãos e a minha mãe ganhava pouco», lembra. Essas experiências tiveram muita influência no seu trabalho como fotógrafo, virando a sua atenção para o povo, para as suas vivências e dificuldades. «Já em casa havia essa atenção. O meu pai era um homem político. A minha mãe recebia a quotização do Partido.»
A cidade
É Almada que é retratada na exposição, a cidade de ontem que é também de hoje. Prova disso são os visitantes que se descobrem nas fotografias, a si, aos pais e às mães, aos vizinhos e aos companheiros de escola, aos locais de trabalho, de brincadeira ou simplesmente de passagem. A reacção é sempre emotiva e muitos são os que deixam escapar as lágrimas. Reconhecem a sua vida e a sua cidade, a evolução que sofreu, desde o tempo em que os temporais destruíam as casas dos pescadores da Costa de Caparica – frágeis, pobres, mas o lar daquelas famílias – até à cidade moderna em vésperas da concretização do metro de superfície, desde a Almada rural de terras férteis à actual Almada com quase meio milhão de habitantes.
É também a cidade política, representada nas manifestações populares de apoio à Revolução dos Cravos, nas primeiras eleições livres, numa concentração em frente à Lisnave em 1978 ou num outro protesto no Largo Luís de Camões. Num mar de chapéus-de-chuva abertos, vê-se o rosto de uma mulher de meia idade, chapéu de palha na cabeça e um cartaz na mão: «Queremos trabalho, desemprego não.»
«Com o 25 de Abril, ganhei ainda mais amizade a Almada», refere Júlio Dinis. Depois da revolução, começou a fotografar grandes multidões. São famosas as suas panorâmicas de concentrações de massas. No entanto, o que mais gosta de fotografar são rostos.
Reformado, Júlio Dinis continua a fotografar. «Volta não volta, quando está bom tempo, agarro na máquina e vou fazer umas coisas. Quando saio de casa penso: “Tenho de ir fazer isto.”.» Actualmente está a fazer um trabalho sobre figuras do concelho, o seu concelho, a sua casa.
A Festa do Avante! conta com a colaboração e o trabalho de Júlio Dinis desde a primeira edição. O mesmo aconteceu com outras iniciativas do Partido, realizadas um pouco por todo o País desde o 25 de Abril. A semana passada, o fotógrafo entregou parte do seu espólio ao PCP, aumentando assim o arquivo histórico do DEP, que, em grande parte, havia sido por ele construído.